Coaching para sustentabilidade de novos negócios

August 18, 2015

 

 

O enorme índice de mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil é um problema a ser cuidado com muita atenção. Segundo Relatório de Pesquisa do SEBRAE em conjunto com a FUBRA (Fundação Universitária de Brasília), sob o tema Fatores condicionantes e taxa de Mortalidade de Empresas, registrou que 49,4% das micro e pequenas empresas neste país fecham em 02 anos, 56,4% em 03 anos, 59,9% em 4 anos.

 

O estudo revelou que há um senso comum entre os que fecharam suas empresas e os que estão obtendo sucesso de que existe a necessidade de conhecer o negócio, o mercado, ter uma excelente estratégia de vendas, ser criativo, além de planejar bastante, dentre outras coisas que remetem ao fator comportamental, para se obter êxito e não fechar as portas. Esse cenário demanda preparação, formação, capacitação e apoio.

 

O fato é que o fechamento prematuro de empresas no país tem sido uma das preocupações da sociedade em geral, em particular para entidades que desenvolvem programas de apoio ao segmento das empresas de pequeno porte, como é o caso do sistema SEBRAE.

Em face deste contexto, surge a pergunta: De que forma a preparação e o desenvolvimento de características empreendedoras pode diminuir o índice de mortalidade infantil das novas empresas? No desdobramento desta, surge outra questão: Como o processo de coaching pode contribuir para o surgimento de conhecimentos, habilidades e atitudes que formarão o líder empreendedor?

 

Por outro lado, O Brasil ocupa a 13ª posição no ranking mundial de empreendedorismo, de acordo com a pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2010. A taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) brasileira foi de 12,02%, significando que de cada 100 brasileiros, 12 realizavam alguma atividade empreendedora até o momento da pesquisa, ou seja, cerca de 14,6 milhões de pessoas iniciando um negócio voltado para atividades empreendedoras.

 

Até a primeira metade deste ano de 2012, 471.000 novas empresas foram criadas no país, um número 51,3% superior ao mesmo período do ano passado. Um dado interessante é que metade dos empreendedores brasileiros hoje tem entre 18 e 34 anos.De acordo com uma pesquisa divulgada o mês passado pela consultoria DMRH/Cia de Talentos, de São Paulo, seis de cada dez jovens sonham em ter seu próprio negocio. O levantamento considera estudantes dos dois últimos anos da universidade e profissionais com até dois anos de formado. O numero de mulheres empreendendo já é quase igual ao dos homens. As brasileiras já são as mais empreendedoras do mundo, segundo um estudo realizado pela GEM e pelo SEBRAE.

Ademais, de acordo com um mapeamento divulgado em outubro de 2012, pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o Brasil tem atualmente 12.904.523 empresas. Levando em conta que a projeção do IBGE para a população do Brasil em 2012 era de quase 194.000.000 de habitantes, existiria nessa data uma empresa para cada 14 habitantes.Os empresários individuais representam hoje 50% dos empreendimentos. Os dados são do Censo das Empresas e Entidades Públicas e Privadas Brasileiras (Empresômetro), que traça um mapa do empreendedorismo no Brasil. De acordo com o levantamento, 90% das empresas brasileiras são de iniciativa privada, 9% são sem fins lucrativos, e 1% de empresas públicas governamentais.

 

Em consonância com esses dados, o censo do IBPT aponta que os empresários individuais (6,4 milhões) respondem por 50% dos negócios existentes no Brasil. O levantamento, entretanto, separa a categoria em duas: Empresário Individual (3,9 milhões, o equivalente a 30% do total) e o Micro Empreendedor Individual – MEI (2,5 milhões 20% do total). Na segmentação por região, o sudeste á a que mais concentra empreendimentos com 6.396.797 (49,3% do país) e o Nordeste aparece na segunda posição com 2.410.249 (18,68%).

 

Segundo Maximiniano (2005), em seu livro Administração para empreendedores: “O empreendedor em essência, é a pessoa que tem a capacidade de idealizar e realizar coisas novas. Pense em qualquer pessoa empreendedora que conheça e você identificará nela a capacidade de imaginar e fazer coisas acontecerem. Outras pessoas, ao contrario, podem ser criativas ou apenas implementadoras, sem a habilidade de combinar esses dois traços básicos de comportamento”. Ele ainda complementa: “empreendedorismo, em sua essência, se resume em fazer diferente, empregar os recursos disponíveis de forma criativa, assumir riscos calculados, buscar oportunidades e inovar”.

 

 Para Dornelas (2003), referencial do tema no Brasil, “empreendedorismo significa fazer algo novo, diferente, mudar a situação atual e buscar, de forma incessante, novas oportunidades de negócios, tendo como foco, a inovação e a criação de valor”. Para Dolabela (2008), “o empreendedorismo é um termo que implica uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar. O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para outros, é alguém que prefere seguir caminhos não percorridos, que define a partir do indefinido, acredita que seus atos podem gerar consequências. Em suma, é alguém que acredita que pode mudar o mundo”.

 

Em síntese, esses autores falam dos bônus, oportunidades, e dos ônus, riscos. Para diminuir os riscos e não transformá-los em perigos, esses mesmos autores e outros, propõem conhecimentos, habilidades e atitudes que deverão ser desenvolvidas e implementadas. Por exemplo, de acordo com Dornelas (2003), nos empreendedores destacam-se as seguintes características: são visionários, sabem tomar decisões, fazem a diferença, exploram ao máximo as oportunidades, são determinados e dinâmicos, são otimistas e apaixonados pelo que fazem, são dedicados, são independentes e constroem seu próprio destino, são lideres e formadores de equipes, são bem relacionados e sabem fazer networking, são organizados, planejam muito, possuem conhecimento, assumem riscos calculados, criam valor para a sociedade.

 

 Por outro lado, Dolabela (2008) destaca alguns mitos acerca do empreendedor, que foram estudados por Timmons (1994), a saber: “Empreendedores não são feitos, nascem; qualquer um pode, em qualquer tempo, começar um negócio; empreendedores são jogadores; empreendedores querem o espetáculo só para si; empreendedores são seus próprios chefes e completamente independentes; empreendedores trabalham mais tempo e mais duro do que gerentes em grandes empresas; empreendedores experimentam grande estresse e pagam alto preço; começar um negocio é arriscado e frequentemente acaba em falência; empreendedores devem ser jovens com muita energia; empreendedores são motivados pela busca do todo poderoso dólar; empreendedor busca poder e controle sobre terceiros; se o empreendedor é talentoso, o sucesso vai acontecer em um ou dois anos; qualquer empreendedor com uma boa ideia pode levantar capital; se um empreendedor tem capital inicial suficiente, não pode perder a chance; empreendedorismo é coisa de rico”.

 

   Essa discussão tem como objetivo levar o alvo da pesquisa a não confiar na sorte e no acaso para seu sucesso e sim em ações que o prepararão para o êxito. Por exemplo, do que vimos o que realmente importa nas organizações, atrelada ao empreendedorismo, é a capacidade inovadora. E inovação só vem de gente. Daí, a necessidade de desenvolver a liderança, que é a capacidade de influenciar pessoas a atingir objetivos.

 

Apoiados por sua experiência e por inúmeros estudos, a maioria dos especialistas no assunto acredita que a liderança e o empreendedorismo podem ser aprendidos.

 

“Esperar que uma pessoa nasça com todas as ferramentas necessárias para liderar não faz sentido, com base no que sabemos sobre a complexidade de grupos e processos sociais. O fato de que a liderança é, em sua maior parte, desenvolvida, é uma boa noticia para aqueles entre nós que estão envolvidos com desenvolvimento de liderança – lideres realmente podem ser desenvolvidos”. (Ronald Riggio, PhD. e professor de Liderança e Psicologia Organizacional de Claremont McKenna College – EUA).

 

 “Testes tem demonstrado que não existe um gene da liderança (…). A liderança moderna tem menos a ver com o que você é e como você nasceu do que com o que você aprendeu e o que você faz como parte de um grupo”. (Joseph S Nye, Harvard University).Se a liderança pode ser desenvolvida, o coaching é um caminho que se apresenta para isso, por que, como prática, possui ferramentas e técnicas cientificamente comprovadas para desenvolver novos lideres empreendedores e também para elevar a performance e a eficácia de lideres mais experientes.

 

 Timoty Gallwey, o precursor do coaching disse: “Em cada empreendimento humano há duas arenas de combate: o exterior e o interior. O jogo exterior é jogado em uma arena externa para superar obstáculos externos para alcançar um objetivo externo. O jogo interior ocorre dentro da mente do jogador e é jogado contra obstáculos como o medo, insegurança, lapsos em foco, e os conceitos sobre limitação ou suposições. O jogo interno é jogado para superar obstáculos autoimpostos que impedem que um indivíduo ou uma equipe acessem todo o seu potencial”.

 

 Segundo a Global Coaching Community, temos várias definições para o processo de coaching:

 

“É uma metodologia de desenvolvimento humano onde se cria um contexto transformacional para o alcance de um estado desejado”.

 

 “É um processo sistematizado onde um coach acompanha e estimula seu cliente no desenvolvimento de sua performance e alcance de suas metas”.

 

 

“É a parceria entre o coach e seu cliente, onde ocorre um processo estimulante e criativo que inspira e maximiza o potencial pessoal e profissional do cliente”.v

 

Segundo Jose Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching, a definição é: “de maneira sintética e objetiva, coaching pode ser caracterizado como o processo conduzido por um profissional (coach) visando identificar o estado atual de seu cliente (coachee) e caminhar junto com ele até um estado desejado”.

 

 Em consonância com isso, Villela da Mata e Flora Victória, presidente e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, respectivamente, definem: “Coaching é um processo que visa elevar a performance de um indivíduo (grupo ou empresa), aumentando os resultados positivos por meio de metodologias, ferramentas e técnicas cientificamente validadas, aplicadas por um profissional habilitado (coach), em parceria com o cliente (o coachee)”.

 

 Não há processo de coaching sem tarefas e acompanhamento delas. Por isso, acontece a aceleração de resultados. Como diz Peter Drucker, o pai da administração moderna: “O produto final do trabalho de um administrador são decisões e ações”. E esse é o cerne do processo de coaching.Essas definições fazem vir à baila as palavras de Vitor Hugo: “Não há nada de tão poderoso como uma ideia cujo tempo chegou”.

 

Sem empresa não há emprego. De fato, a empresa é um grande agente fomentador de emprego e renda. Portanto, fundamental para o alicerce da sociedade contemporânea. Não obstante, que bom seria, se todo empresário fosse empreendedor e se todo empreendedor estivesse preparado para enfrentar as intempéries do mercado e para despertar o espírito do intraempreendedorismo em suas organizações. Não haveria um tão grande numero de mortalidade precoce das empresas e aceleraria ainda mais o desenvolvimento econômico e social.A empresa é o espelho do empresário. Portanto, não se pode falar de desenvolvimento de um negócio sem falar de desenvolvimento humano e de responsabilidade social.

 

 A metodologia do coaching tem como premissa básica ser um catalizador do desenvolvimento humano, potencializando recursos, acelerando resultados em busca de um objetivo, a partir de novas percepções, que vão impactar indelevelmente a sustentabilidade desses novos negócios, das micro e pequenas empresas.

 

 

“No futuro todo líder será coach” – (Jack Welch)

- Leia mais: at: http://www.brascoaching.com/coaching-para-sustentabilidade-de-novos-negocios/#sthash.Md7ra3fJ.dpuf

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